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Ex-prefeito da cidade de São Carlos e ex-reitor da UFSCar, Newton Lima veio ao CP falar sobre a expansão do acesso ao ensino superior
No dia 10 de junho de 2010, Newton Lima, ex-reitor da Universidade Federal de São Carlos (1992-1996) e ex-prefeito da cidade de São Carlos (2001-2008), esteve no Cursinho da Poli para dar uma palestra sobre o crescimento do acesso dos jovens ao ensino superior nos últimos anos e como o Brasil será beneficiado com esses resultados.
Lima falou aos alunos sobre as consequências do chamado “Consenso de Washington” na educação de ensino superior no país, como a degradação das universidades públicas e a mercantilização do diploma universitário, durante a década de 1990 e o início dos anos 2000. Depois, mostrou que, nos últimos oito anos, houve um avanço no investimento em educação pública de qualidade, como o aumento de escolas técnicas (até o final de 2010, serão 354, contra apenas 140 em 2002) e de universidades federais (em 2002, eram 43, e 2010 deve terminar com 59).
Antes da palestra, o Vox conversou rapidamente com Newton Lima:
Existe a possibilidade de conflito entre o SiSU e o ProUni, pelo fato de um programa ser dirigido às universidades públicas e o outro, às particulares?
Não vejo isso. O SiSU é a substituição dos vestibulares das instituições públicas do Brasil e tem o mérito de abrir alternativas para todo o país, democratizando o acesso ao ensino público e eliminando os vestibulares – algo condenado por todo mundo. O ProUni é outra alternativa, que complementa o SiSU, para aqueles estudantes que por acaso não tenham conseguido ingressar na universidade pública, mas vão ter o apoio de uma bolsa integral numa particular. O SiSU e o ProUni se complementam.
Quando foi criado, críticos do ProUni diziam que o dinheiro gasto no programa deveria ser usado para a expansão do ensino superior público.
Na verdade, o sistema estava tão congelado que era preciso fazer muito rapidamente uma ampliação significativa das oportunidades universitárias e técnicas. Por isso, tenho certeza de que o Governo Lula acertou ao criar três alternativas – porque existe ainda uma terceira, o semi-presencial, que também ampliou significativamente o número de vagas para os trabalhadores que não podem sair do trabalho, ou que não podem participar do ProUni ou das universidades públicas. Todo o conjunto é de ações complementares, com o intuito de tentar diminuir o passivo que se acumulou ao longo do tempo e com a falta de oportunidades na educação de qualidade de ensino superior no Brasil.
Sendo o senhor um ex-reitor de uma universidade federal, qual é sua avaliação do novo formato do Enem e sobre o SiSU?
Essa mudança de formato veio para ficar, é uma questão de tempo. Os reitores das universidades federais apoiaram, ainda que haja resistência aqui e acolá. O Enem e o SiSU vão acabar com o fantasma do vestibular e permitir aos estudantes essa mobilidade [do ingresso em qualquer região do país], que acho absolutamente fantástica.
Como o senhor trabalhou a educação em sua gestão como prefeito da cidade de São Carlos?
Falo com muito orgulho de alguns resultados muito interessantes. Primeiro, aplicamos 33% do orçamento em educação – e a legislação fala em 25%. Nós fomos para 33% porque ampliamos as alternativas educacionais para além da rede formal municipal de ensino. Ganhamos alguns prêmios importantes. São Carlos é, hoje, depois de todos os investimentos que fizemos, a cidade que mais protege o jovem no Brasil. São Carlos é a nona cidade que mais investiu em cultura no país, segundo o Ipea [Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada], e a quinta maior relação biblioteca/habitante. Isso dá uma visão de como a educação, da infância à juventude, foi prioritária para mim durante os oito anos de gestão (2001-2008).
» Veja o arquivo com a apresentação da palestra de Newton Lima (Powerpoint)
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