Siga nosso Twitter Inscreva-se no nosso canal Em breve Em breve Ouvidoria HOME
Aconteceu
Palestra: Moacir Assunção
PALESTRA: OS HOMENS QUE MATARAM O FACÍNORA
O jornalista Moacir Assunção fala sobre seu livro, que conta a vida dos inimigos de Lampião

Quem nunca ouviu falar de Lampião, o rei do cangaço? Foi assim que Moacir Assunção, jornalista d´ O Estado de S.Paulo, professor nos cursos de Jornalismo e Publicidade da Universidade São Judas Tadeu e autor do livro Os homens que mataram o facínora, iniciou sua palestra no Cursinho da Poli, no dia 10 de novembro, na Unidade Lapa.

Em seu livro, Moacir investiga a vida no cangaço por um ângulo diferente do que se costuma fazer: em vez de contar a história de Lampião, ele buscou informações sobre os inimigos do lendário líder de bandidos que dominaram o Sertão durante as décadas de 1920 e 30. Moacir explica: "Lampião já é um personagem muito conhecido e dificilmente teria alguma coisa muito nova pra apresentar. Então decidi contar as histórias sobre os inimigos dele, que também são personagens bastante interessantes, mas em geral são apenas citações de pé de página nos livros". O autor diz ter se interessado pelo tema porque nasceu na região onde Lampião viveu, e sempre ouviu as histórias e lendas sobre o famoso bandido.

Ao abrir a palestra abordando a importância de estudar a história e a cultura, o jornalista afirmou que conhecer o Nordeste brasileiro não se resume a visitar cidades litorâneas, que são pontos turísticos bastante explorados - portanto, semelhantes a diversas outras regiões do Brasil. Ele enfatiza que o verdadeiro Nordeste está nas entranhas do Sertão, onde os costumes e características típicos estão presentes, e aproveitou para explicar a própria origem do nome, que seria um diminutivo de "desertão".

Matador de cangaceiros

Foto de Moacir AssunçãoO escritor também falou sobre peculiaridades locais como o linguajar e alguns costumes, afirmando que apenas no Nordeste brasileiro poderiam surgir personagens tão especiais e interessantes como Padre Cícero, Antônio Conselheiro ou Lampião. Na palestra, foi apresentado um documentário feito nos anos 1960, baseado em imagens do libanês Benjamin Abrahão, que alterna cenas raras, como o bando de Lampião ajoelhado rezando, com cenas surpreendentes, como o depoimento de Zé Rufino, maior matador de cangaceiros - Rufino faz a escalação dos inimigos que matou e sua lista parece interminável!




Moacir desmistifica a aura de bandido social atribuída a Lampião, que fez do cangaço um meio de vida, uma profissão. Após ter seus pais assassinados, Virgulino Ferreira entrou para um bando de cangaceiros em busca de vingança. Em sua trajetória de 20 anos como fora-da-lei, matou mais de 100 pessoas (sem contar as outras mortes realizadas por seu grupo). Mas, por ironia do destino, Lampião jamais matou as pessoas das quais jurara vingar-se e que o levaram a entrar no cangaço, justamente porque se o fizesse, deixaria de ter motivos pra continuar sua vida bandida. Moacir lembra que, quando surgiu, no fim do Império, o cangaço era conduzido por um espírito contestador e com causas sociais, porém, com o tempo, isso se perdeu e Lampião utilizou esse meio de vida para enriquecer.

O cangaço e o crime organizado

Em seu livro, Moacir Assunção faz um interessante paralelo entre o cangaço e o poder organizado dos traficantes atuais. Segundo o escritor, há diversas semelhanças entre os dois casos, apesar da distância no tempo e no espaço. Como exemplo, cita o fato de nunca faltar munição para o grupo de Lampião, e suas armas serem sempre superiores às da polícia, assim como acontece hoje.

Outra comparação acontece com a origem dos grupos: tanto nas favelas quanto no Sertão, foi a falta da presença do Estado que permitiu a formação de bandos armados e organizados. Em ambos os casos, quando o Estado aparece, é na forma da polícia, com opressão, o que estimula a simpatia da população local pelos bandidos, que lhe oferecem pequenos benefícios.

Por fim, Moacir lembrou que a imagem do cangaceiro era heróica entre os jovens sertanejos, de certo modo como o traficante é o herói de parte da juventude que vive nas favelas. Afinal, ele tinha fama, armas e dinheiro, sendo uma referência na comunidade. Com esse raciocínio, Moacir Assunção propõe que entender o cangaço ajuda a entender alguns dos problemas sociais que vivemos no Brasil.

Livro Os homens que mataram o facínora
CENTRAL DE ATENDIMENTO: (11) 2145-7654 Unidades Cursinho da Poli: Zona Leste Lapa Santo Amaro