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PALESTRA COM LAMA MICHEL RINPOCHE

"RELAXAMENTO E CONCENTRAÇÃO - UMA JOVEM IDÉIA DE PAZ"

"Pensando em fazer, pensando em fazer, se passaram 20 anos
Não consegui, não consegui, se passaram 20 anos
Ai, por que não fiz?, ai, por que não fiz?, se passaram 20 anos
Assim, se passaram 60 anos
Essa é a biografia de uma vida vazia."

Esse provérbio tibetano foi um dos ensinamentos do jovem Lama Michel Rinpoche na palestra "Relaxamento e Concentração - Uma Jovem Idéia de Paz", realizada no dia 10 de abril na unidade Lapa do Cursinho da Poli. Com muito bom humor e cheio de carisma, Lama Michel ensinou como manter a concentração na hora do vestibular mas foi muito além disso: mostrou conhecimentos filosóficos profundos e lembrou aos presentes a importância exagerada que as pessoas costumam dar aos objetivos materiais, e explicou como se formulou a decisão de se tornar monge. E, como não podia deixar de ser, também comentou a grave situação política que vive o Tibet hoje.

Lama Michel disse que sempre sentiu uma grande familiaridade com o seu mestre, o Lama Gangchen, que ele conheceu aos cinco anos. A paz de espírito do mestre foi sua maior inspiração e, depois de conhecer lugares sagrados no Tibet, na Índia, na Indonésia e no Nepal, ele decidiu, aos 12 anos, que queria ser monge. Partiu, então, para a universidade monástica de Sera Me, no sul da Índia, onde estudou até completar 24 anos. Hoje, com 26, ele orienta o Centro de Dharma da Paz, uma instituição humanística e filosófica sem fins lucrativos, em São Paulo.

Materialismo
"Não vim aqui para falar sobre o budismo", avisou já na abertura de sua palestra. Lama Michel preferiu abordar os temas recorrentes no cotidiano da sociedade, como a busca (que tem sido infrutífera) pela felicidade. Lembrou casos de pessoas que estão muito bem financeiramente, porém espiritualmente infelizes, e citou como exemplo um empresário russo que pediu para ele abençoar seu "barco" (que tinha suítes, cinema e heliporto). "Eu não queria estar na pele dele", disse o Lama, contando o quão infeliz era aquele homem.

O monge também citou a Finlândia como exemplo de infelicidade: apesar de o país ser um exemplo em qualidade de vida, tem uma das maiores taxas de suicídio no mundo. "A verdadeira riqueza é a satisfação. O verdadeiro pobre é o insatisfeito". Mas o Lama lembrou que, embora os bens materiais não sejam tudo, são necessários, afinal é preciso trabalhar para pagar as contas. "Eu não posso ir ao supermercado e, quando chegar ao caixa, dizer 'te dou a minha benção'", brincou o monge.

Vestibular
"A informação é essencial para vermos o mundo com outros olhos", alertou o Lama, e lembrou a todos que, quanto mais aprendemos, mais descobrimos que precisamos aprender. Ele também explicou a importância de estudar assuntos diferenciados, mesmo que não sejam de uma área específica de interesse, como é o caso, por exemplo, de um vestibulando ter que estudar Biologia sendo que pretende se tornar engenheiro: "Conhecimento gera conhecimento".

A pedido de um aluno, o jovem monge ensinou uma técnica de respiração que ajuda a manter a calma na hora dos exames. E deu um recado importante para os vestibulandos: a boa alimentação é extremamente importante, não apenas para o corpo, mas também para a mente. Citou, entre outras, a experiência de um cientista de Oxford que deu a um grupo de detentos pílulas com vitaminas e a outro pílulas sem qualquer ingrediente nutricional. Após alguns meses, foi observado que o grupo que tomou as pílulas vitaminadas praticou 33% menos atos violentos do que os detentos que tomaram o placebo.

Ensinamentos
Lama Michel confessou em tom de brincadeira que seu maior problema no Monastério era enfrentar a preguiça. Após citar o provérbio tibetano sobre a "biografia da vida vazia" (acima), o monge alertou para quão precioso é nosso curto tempo e usou uma metáfora para exemplificar a eficiência do esforço: "Precisamos ser como a formiga, que, mesmo com passos pequenos, chega aonde quer; a pulga dá saltos enormes, mas continua no mesmo lugar".

Explicou que ser humilde não é ser inferior aos outros, mas conhecer os próprios defeitos e virtudes. "Somos todos iguais, todos sofremos e queremos nos livrar desse sofrimento", disse Lama Michel, que aproveitou para enfatizar que ninguém tem uma vida perfeita.

Houve muito riso quando o monge falou sobre a força de vontade. Disse que devemos buscar nossos objetivos, mas precisamos desejar coisa possíveis, e brincou: "Não adianta eu desejar ficar grávido, porque isso nunca vai acontecer".

Tibet
A grave situação por que passa o Tibet também foi abordada a pedido de um aluno. Lama Michel explicou que os Estados Unidos estão apoiando o Dalai Lama e sua luta apenas por interesse político, e que no meio dessa batalha quem acaba sofrendo é o povo tibetano. O monge também lembrou que é preciso questionar as informações divulgadas pela grande mídia, muitas vezes manipuladas pelos veículos jornalísticos.

Lama Michel é autor dos livros Uma jovem idéia de paz e Coragem para seguir em frente. Juntamente com Lama Gangchen, dirige o Centro de Dharma da Paz (www.centrodedharma.com.br). Você pode conhecer mais sobre o jovem monge na entrevista que ele deu à TV Trip clicando aqui.

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